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Você está preparado para investir em ações?

28 de maio de 2018

Por que ações assusta tanto?

 

Por Rafael Saldanha e Marco Saravalle, CNPI.

É bastante comum ouvir algum parente, amigo ou conhecido dizer que quebrou na bolsa. O ano de 2008 e o recente período de 2011 a 2015 foram marcados por quedas da bolsa brasileira. Parte dos investidores perderam muito dinheiro com ações, mas na maioria dos casos foram por falta de assessoria e informação especializada, simplesmente seguiram a manada e entraram na Bolsa em meio ao oba-oba.
O mercado de ações brasileiro passou grande parte da década passada em alta, com exceção de 2008, a pior crise do mundo moderno. O principal índice que mede o comportamento do mercado de capitais, o Ibovespa, entregou expressivos resultados positivos. De janeiro de 2002 até o topo do índice, em maio de 2008, o IBOV teve uma alta de 470%. Os resultados puxados por empresas como Petrobras, Vale, Gerdau e outras blue chips, trouxe a ideia que a bolsa era simples e qualquer ativo era uma boa opção, que não era necessário garimpar para encontrar boas empresas, instituições solidas, acreditou-se que todas se valorizavam.
Os preços das ações foram favorecidos por alguns fatores conjunturais importantes, o que os empurrou para cima. O Boom das commodities, o crescimento acelerado do país estimulado pelo consumo e pelo crédito, a injeção de capital no mercado acionário, em minha opinião um pouco artificial, gerado por incentivos do governo, como a liberação do FGTS para compra de ações como Petrobras, Banco do Brasil, Vale e etc. inflou a Bolsa e facilitou para que algumas ações, não tão boas, mas beneficiadas por esta conjuntura, desempenhassem bem.
Os respectivos movimentos de alta levaram à Bolsa muitos “amadores” sem assessoria ou acompanhamento especializado. Com a popularização do mercado, tornou-se cada vez mais comum investir em ações por indicações de pessoas que não tinham nenhuma propriedade sobre o assunto. Entretanto, Bolsa de Valores é um mercado organizado e supervisionado onde se negocia “pedaços” de empresas. Quando se compra uma ação você está se tornando sócio de uma instituição, portanto, ao fazer isso é preciso estudar previamente, ninguém abre um negócio de uma hora para outra.
Ao longo dos anos houveram crises, em 2008 o mundo como todo e na atual década, o Brasil isoladamente. No primeiro momento, a queda foi muito rápida, entre maio e novembro de 2008 a Bolsa perdeu 49% do seu valor, expulsando brutalmente grande parte dos investidores que não tinham perfil para ações. Em 2009 a recuperação foi rápida, retornando para próximo do patamar anterior. Entre 2011 e janeiro de 2016 os ativos voltaram a cair, mas de forma mais lenta, o Ibovespa acumulou resultados negativos de aproximadamente -40% no período.
Os investidores que não monitoram suas ações assistiram as empresas, que não eram tão boas quanto pareciam, virarem pó. Petrobrás em 25/11/09 era cotada a R$ 39,45 atingindo a mínima em 26/01/16 R$ 4,20 (-89%), Vale em 18/01/11 custava R$ 53,41, chegou a R$ 6,57 em 02/02/2016 (-87%), o preço de OGX em 04/11/10 era R$ 23,27 chegou a R$ 0,02 em 04/02/16 (-99%). Situações parecidas aconteceram com outros ativos como OI, Usiminas, Eletropaulo e etc. Os investidores que não acompanharam os papeis tiveram grandes reduções em seus patrimônios.
Aplicar em ações requer acompanhamento, estudo do modelo de negócio. No Brasil é quase impossível cravar quais são as empresas “para levar para os netos”. Todos os exemplos citados eram, até ocorrer, instituições “inquebráveis”. De fato, alguns desses ativos vem se recuperando desde meio de 2016 até hoje, com a melhora das expectativas econômicas, mas amarguraram por bastante tempo e muitos investidores venderam suas posições assumindo prejuízos.
Investir em ações tem riscos embutidos, mas também há pontos positivos. Os investidores descuidados, que operam de forma equivocada, sem informações suficientes para embasar decisões precisas, acabam ferindo suas finanças e por suas experiencias negativas difamando a Bolsa de Valores.
Mesmo com o mercado, em média caindo, os investidores que se dedicaram a procurar empresas sólidas participaram de grandes altas como, Banco Itaú, Raia Drograsil, Lojas Renner, entre outras. Investir em ações podem gerar grandes retornos, mas é necessário dedicar tempo para estudar e acompanhar o mercado. Buscar uma assessoria é importante, seguir um profissional da área, um analista, é uma boa alternativa para os que estão iniciando.

 

rafael.saldanha@rinvest.com.br