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Fazer aportes periódicos em ações pode aumentar consideravelmente o meu patrimônio no longo prazo?

7 de fevereiro de 2018

O efeito dos aportes periódicos no patrimônio dos investidores de longo prazo.

Marco Saravalle (CNPI), Felipe Pontes e Geisa Paulino.

Considerando uma perspectiva de investimentos a longo prazo – de preferência para a aposentadoria – nós analisamos a viabilidade do investimento em ações no país da renda fixa (e da caderneta de poupança, especificamente!), de forma a demonstrar como fazer aportes periódicos em uma carteira de ações com boas empresas pode ser benéfico, e o quão bom ou ruim esses aportes são para a criação de um patrimônio – dependendo da opção escolhida.
As análises feitas utilizaram-se da rentabilidade individual de duas carteiras de ações construídas da seguinte forma:
(1) Escolha, anualmente, das 10 melhores ações com base em fundamentos e capacidade de pagamento de dividendos;
(2) E a escolha das carteiras de ações baseadas no consenso dos analistas, mais detalhadamente, foi selecionada, anualmente, as carteiras com as 10 ações mais recomendadas pelos analistas.

 

Analisando o Gráfico 1, é possível notar que o investidor que consegue aplicar R$ 10.000,00 anualmente nas 10 melhores empresas de cada ano (não foram as 10 que mais valorizaram, foram as 10 com os melhores fundamentos), pode formar um patrimônio muito grande. Por outro lado, quem optou por ficar preso ao CDI (130% do CDI, na verdade), perdeu, no mínimo, uma boa rentabilidade e até mesmo uma ótima oportunidade de se aposentar mais cedo.

O pressuposto admissível é o de que uma pessoa com um salário razoável, sendo bem equilibrada financeiramente (isso pressupõe um certo nível de educação financeira), consegue juntar R$ 10.000 em um ano com o objetivo de investir. Até se considerarmos as pessoas que ganham pouco (média nacional), ainda é possível investir e montar um bom patrimônio desde que use o poder dos juros sobre juros ao seu favor.

Gráfico 1 – Evolução Patrimonial: Ações, Ibovespa e 130% do CDI com aportes anuais de R$ 10 mil

FAZER APORTES PERIÓDICOS EM AÇÕES, MESMO SEM TEMPO PARA ANALISAR AS EMPRESAS, MAS SEGUINDO OS ANALISTAS, PODE AUMENTAR CONSIDERAVELMENTE O MEU PATRIMÔNIO NO LONGO PRAZO?

O Gráfico 2 mostra o quanto foi superior o investimento em ações escolhendo, com base em fundamentos, as 10 melhores empresas de cada ano em relação a qualquer outra estratégia apresentada no referido gráfico: 130%*CDI, consenso dos analistas etc.

Mesmo para quem não tem tempo, experiência e conhecimento do assunto, a estratégia de investimento seguindo as recomendações de analistas mostra-se uma melhor opção de investimento do que o CDI pagando 130% em termos de rentabilidade.

É preciso considerar que existem analistas melhores e outros piores, porém na “média” (chamamos de consenso) a carteira com recomendação de analistas ainda gerou um patrimônio 11% maior do que o investimento em 130% do CDI.

O montante investido ao longo desses 15 anos (a base de dados de analistas só está disponível a partir de 2001) foi de R$ 150.000,00, equivalente a R$ 10.000,00 por ano. Isso geraria um patrimônio 964% maior, se o investidor tivesse escolhido com base nos fundamentos as 10 melhores empresas de cada ano, ou geraria um patrimônio 443% maior do que o montante investido, caso seguisse o consenso dos analistas e 400% maior caso tivesse investido a 130% do CDI.

Gráfico 2 – Evolução Patrimonial: diferentes estratégias

Observações importantes: ações são investimento de risco, logo, é preciso estar atendo a sua volatilidade, ainda que, para investidores de longo prazo, a volatilidade seja pouco importante.
Para investidores de longo prazo, o poder dos juros composto é muito mais evidente, basta apenas pensar no efeito bola de neve criado pelos juros sobre juros no seu dinheiro, e esse poder é ainda maior quando se estabelece uma sistemática periódica de aplicação de recursos em bons investimentos.
Todavia, é importante reiterar alguns pontos: antes de investir em ações, é preciso que as pessoas sejam educadas financeiramente, gastem menos do que ganham e estudem sobre os riscos do mercado. Por último, é importante ter em mente que os retornos passados não são garantias de retornos futuros, porém fazer esse tipo de backtest apresentado aqui é a melhor maneira de se testar a assertividade das nossas estratégias de investimentos.

DICLAIMER
Esse texto faz parte de uma série sobre a viabilidade do investimento em ações no Brasil.
Um vídeo resumindo a ideia da série poderá ser acessado no seguinte link: https://www.youtube.com/watch?v=OkhXdatPObY
Felipe Pontes é Professor do Programa de Pós-Graduação em Contabilidade da UFPB e vice-coordenador da Sala de Ações da UFPB.
Geisa Paulino é mestranda no Programa de Pós-Graduação em Contabilidade da UFPB e membro da Liga de Mercado Financeiro da UFPB.

OBS: artigo original publicado em contabilidademq.blogspot.com.br

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